Um menino de três anos sofreu uma luxação na mão esquerda após ser agredido por uma professora dentro de uma creche em Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo a prefeitura, a funcionária não integra mais o corpo docente da unidade, o Núcleo de Educação Infantil Conveniado (Neic) Espírita Cristã Maria de Nazaré.
A avó materna do menino, Janilma Ferreira da Silva, de 47 anos, relatou que a família foi chamada à creche no dia 28, após a criança reclamar de dor no braço. "Ele veio gritando. Meu filho já pegou ele na porta da creche assim. A professora ainda perguntou se ele tinha se machucado em casa", contou.
Inicialmente, o menino foi levado à UPA Enseada, onde foi medicado e liberado. Como as dores persistiram, a avó o levou, no dia seguinte, à UPA da Rodoviária, onde um raio-x confirmou a luxação.
Desconfiada, Janilma perguntou ao neto sobre o ocorrido e ouviu: "Vovó, a tia machucou o meu braço".
Ao confrontar a direção da creche com o laudo médico, a família foi informada de que o caso seria analisado pelas câmeras de segurança. No dia 30, após ver as imagens, Janilma constatou que a professora arrancou um livro do menino, que reagiu jogando um brinquedo no chão. Em seguida, a educadora o puxou bruscamente pelo braço, deixando-o pendurado e, depois, o arrastou até o meio da sala, onde o colocou de castigo, mesmo com a criança gritando de dor.
"Fiquei em estado de choque ao ver as imagens. É uma cena lamentável. Me senti impotente. A professora é forte, imagina a força de um adulto no bracinho de uma criança de três anos", desabafou a avó.
Denúncia registrada e assistência à família
Segundo a avó, a creche está oferecendo apoio psicológico ao menino e à família. Ela informou que a própria unidade acionou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência, mas a denúncia só foi formalizada na segunda-feira (2) pela mãe da criança.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que o caso foi registrado na Delegacia de Guarujá. Foram expedidas guias para exame de corpo de delito, que visa comprovar materialmente a ocorrência da agressão.
Posicionamento da Prefeitura de Guarujá
A Prefeitura de Guarujá informou que o caso está sendo apurado de forma criteriosa pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc), com a adoção de todos os protocolos para garantir transparência e responsabilização.
Segundo a administração, medidas imediatas foram tomadas para proteger o aluno e assegurar a segurança na unidade. As imagens das câmeras foram analisadas e o caso foi registrado na Delegacia de Guarujá, conforme orientação do Conselho Tutelar. A funcionária envolvida não faz mais parte do corpo docente.
A prefeitura destacou que a contratação de funcionários é responsabilidade da entidade mantenedora, conveniada ao município. Para evitar novos casos, a Seduc determinou que a mantenedora adote processos mais rigorosos de seleção, ofereça treinamento contínuo aos profissionais e intensifique a fiscalização das imagens de segurança, visando prevenção e resposta rápida a qualquer ocorrência.
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